Chegamos
em Salvador !
| Aqui
se respira, ouve e vive cultura. Teatros, oficinas de arte e
centros culturais se disseminam por toda capital, mas esse ar
fica mais denso no Pelourinho, um mundo onde todos podem acontecer,
mostrar sua cara e sua arte. |
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Da baiana de acarajé aos palhaços seresteiros da madrugada, foi lá
que começamos a encontrar nossas riquezas.
O Pelô, para os íntimos, foi em parte
reformado e preenchido por charmosos restaurantes, lojinhas e galerias
distribuídas nas recém-coloridas casinhas. Muito agradável. Mas essa
beleza teve seu preço: parte dos moradores foram literalmente expulsos
de suas casas para que se realizasse a restauração desse centro histórico,
dividindo opiniões sobre a benfeitoria. Um bêbado disse que a Bahia
é um mundo, onde ACM é o rei. Talvez ainda lhe restasse um pouco de
sobriedade... O outro lado do Pelô continua tentando sobreviver entre
a riqueza e a pobreza.
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Ao chegarmos, o
som de uma roda de samba nos atraiu, assim como muitos outros
que lá estavam, contagiados pelo ritmo. Seguindo pelas ruas
tortuosas, descobrimos um super-herói do Pelô: Jaime Figura.
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Trata-se de um artista plástico que criou uma fantasia de metal e
borracha, há 12 anos sua segunda pele e segunda personalidade. Não
mostra o rosto a ninguém e não tem espelhos em casa. Respira por um
orifício e tem 40% de visão dentro da máscara. O motivo? "Tenho que
mostrar a minha arte e não quero mostrar meu rosto" - justifica.
| Conversamos
também com três garis, colegas de trabalho há 25 anos. Varrem
o Pelô na madrugada e conhecem cada movimento e cada pessoa
da boemia. Um deles nunca teve filhos porque diz que a nova
geração não dá valor aos pais. Outro chegou a morar em São Paulo
por um bom tempo, mas voltou por causa da violência. |
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Estávamos sentados na calçada conversando
com eles e avistamos outra movimentação na rua: um grupo de seresteiros
vestidos de coringas, cantando antigas canções carnavalescas. Encantador.
"Paroano sai milhó" há 37 anos espalha alegria pelas ruas do Pelô,
tocando o coração de belas jovens, saudosos velhinhos, emocionados
poetas boêmios, bêbados, crianças, o mundo...
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Tivemos a oportunidade
de saber grande parte da história deles numa mesa de bar. Nos
ofereceram um prato típico da cozinha baiana, o arrumadinho:
pimentão, cebola e tomate picados com farinha e carne de sol.
Delicioso. |
Quando aqui chegamos, tínhamos
a ingênua intenção de jantar, dar uma volta e ir embora à meia-noite.
O palco do Pelô nos envolveu com sua magia e retardou nossa partida:
voltamos pra casa ao amanhecer, com muito material pra mostrar e impressionados
com as pessoas que cruzaram nosso caminho e nos ajudam a montar essa
"peça" chamada Trilha.
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