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Ilha do Caju - O Brasil cercado de água por todos os lados


Sim, o paraíso ecológico existe. É lá, no maior delta das Américas, o Delta do Rio Parnaíba, com 2.700 km2 (terceiro maior delta fluvial do mundo, entre o estado do Maranhão e Piauí), com seus cinco "braços" de rio, mais de 70 ilhas, e muito carangueijo-uçá em seus mangues, que encontramos a Ilha do Caju, ou seria a Ilha dos Sonhos?

A maior de todas as ilhas da região, com uma extensão de 100 km2, concentra quase a totalidade dos ecossistemas existentes no nosso Brasil. A variedade de fauna e flora, no aconchego de uma fazenda centenária, fazem desta ilha um lugar encantado.

Encantado de histórias e belezas, encantado por seus amáveis habitantes. Dos antigos moradores da ilha, os índios Tremembés aos atuais proprietários, a família Clark, pouca coisa mudou. A natureza continua virgem e os animais intocados.

Hoje a pousada mistura o conforto rústico com a realidade da ilha. Com essa preocupação em seus corações, Ingrid e Mário fazem o turismo ecologicamente correto, tornando o lugar o sonho de muitos aventureiros.
Visitada principalmente por paulistas e estrangeiros, a aventura começa logo que se chega na ilha, onde uma "Toyota Jardineira" nos espera na extremidade do trapiche. O percurso de pouco mais de 2 km até a sede da pousada é uma pequena trilha e já podemos observar as dádivas da natureza: o som dos pássaros e o olhar curioso de muitos animais silvestres.

Ficamos hospedados na casa da praia, uma construção antiga de 5 quartos, muitas redes e um pequeno gerador que só é ligado depois que anoitece por completo. Vida de fazenda é assim mesmo.

A caminho de nossas acomodações, várias surpresas. Uma raposa que cruza a estrada, um veado atento a nossa direita, um revoado de garças brancas e colhereiros cor-de-rosa. Durante a noite, é fácil reconhecer o olhar brilhante dos jacarés, escondidos na vegetação dos alagados. Enormes iguanas, tatus e guaxinins também são uma visão freqüente em nossos passeios.

Os funcionários, amantes da ilha e da natureza, fazem da comida e da estadia um convite ao quero-mais. A refeição requintada, preparada pelo mestre Flávio, nos deixa com água na boca. O camarão no coco, como é conhecida uma de suas principais especialidades, foi especialmente servido ao Trilha Brasil e nossos amigos Balz e Judith, suiços-brasileiros que também desfrutavam dos bons momentos na terra do caju.

A convite do Bal, nosso guia e morador da ilha desde sua infância, optamos por cruzar as fronteiras da natureza a cavalo, num passeio exclusivo, que duraria 2 dias e uma noite, cruzando as extremidades pelo interior da fazenda, dormindo em redes ao ar livre, num encontro total com a natureza.

Engana-se quem pensa que aventura off-road só se faz de 4x4. Atoleiros e dunas, não são apenas coisas dos Lençóis Maranhenses e do Cumbuco. Cavalgamos nas florestas verdes e nos campos abertos, atravessamos os alagados (com direito a cavalo atolado e muita roupa molhada), subimos e descemos dunas, vimos a floresta seca de longe, galopamos na beira do mar, sentimos o cheiro forte dos mangues. Os cavalos são ótimos nas trilhas. A gasolina não acaba, a bateria não pifa. O único cuidado eram os equipamentos.

Os famosos Guarás, ave símbolo da ilha, cruzaram os céus mostrando a cor púrpura de sua beleza. Branco e pretos de nascença, atingem a coloração vermelha devido ao betacaroteno presente nos carangueijos, sua principal fonte de alimentação. Nesta mistura de ecossistemas a harmonia é perfeita.

Armamos nossas redes nos troncos dos cajueiros, sob um céu estrelado, num dos locais mais intrigantes e misteriosos da ilha: A duna do índio. Os vestígios da antiga civilização, ainda hoje pairam na terra e no ar. Pedaços de objetos e conchas calcificadas, de mais de 200 anos, podem ser facilmente encontrados. Sensações misteriosas são sentidas. Os índios ainda estão por lá.

Nosso café da manhã limitou-se a 2 melancias silvestres, água e muito sol. A cavalgada continuou manhã afora, até encontrarmos o guia Evaristo, que nos esperava com pães de queijo fresquinhos, bolo e pão. Seguimos então de trator, onde sim, uma verdadeira peixada nos esperava.

Durante a tarde, num passeio pela praia durante a baixa da maré, descobrimos nas ilhas vizinhas um grupo de pescadores arranchados. Seria o nosso próximo destino.

Deixamos a ilha e nossos amigos, trouxemos a saudade e o orgulho de termos convivido com pessoas maravilhosas que, assim como nós, acreditam e lutam pelo nosso Brasil.

A ilha fica para trás, mas a promessa de voltar faz com que nossos corações se acalmem. A vida continua, o Brasil nos espera.




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