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Aniversário no coração da Ilha do Amor


Encerrado nossos trabalhos com os pescadores de arranchada, nos dirigimos por uma estrada difícil e perigosa para mais uma capital: São Luís. O lugar mais pesquisado, alvo de nossos trabalhos, seu coração - o centro histórico. Andar pelas calçadas de cantaria do centro é como estar num museu ao ar livre, com marcas de um passado de quase 4 séculos. São Luis foi descoberta pelos franceses em 1612, fato que justifica o nome da única capital brasileira que não nasceu lusitana: uma homenagem ao rei Luís XIII.

Sem cerimônia, seus fundadores foram expulsos e a cidade foi para sempre marcada com uma de suas melhores características: a azulejaria portuguesa. Esta arte teve início por volta de 1830, quando São Luís figurava como a quarta cidade mais importante do País, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. Em razão desta herança arquitetônica, a capital maranhense recebeu da UNESCO, em 1997, o título de Patrimônio Histórico da Humanidade.

Alguns casarões do antigo centro ainda exibem paredes inteiras de azulejos seculares; outros estão arruinados, envoltos em plantas. Os mais conservados são repartições públicas ou comércio, como lojas de artesanato, miudezas, restaurantes, bares... Aqueles que já não guardam tanta beleza servem de abrigo a algumas famílias humildes, e nem por isso, deixam de fazer parte do acervo histórico da cidade. Muito pelo contrário.


Espaços culturais diversos revelam artistas maranhenses e expõem uma parte de seu riquíssimo folclore: sotaques do Bumba-Meu-Boi, Tambor de Crioula, Tambor de Mina...

Foi nesse clima que conhecemos a Companhia Circense de Teatro de Bonecos. No comando de Sandra Cordeiro, Gilson Cesar e Zé Maria Medeiros, o trabalho com bonecos desses artistas iniciou-se em 1991. Sandra nos falou em uma longa conversa sobre a história do mamulengo ou boneco de luvas (fantoche) e contou que o Teatro tem um projeto para apresentar o Bumba- Meu- Boi na forma de marionetes: "em junho de paroano queremos apresentar o espetáculo" - lembramos de nossos amigos seresteiros de Salvador.

Diferente dos centros de outras capitais do Brasil, que costumam ter sua história atropelada pela modernidade, aqui em São Luís a aura de tempos remotos é mantida, o novo e o antigo convivem em harmonia.

Assim, a autenticidade do lugar é assinada pela Feira da Praia Grande, um mercado infiltrado num dos quarteirões históricos. Em seu interior, uma série de barraquinhas de madeira oferecem farinha de puba, grãos, camarões, rapadura, artigos de palha de Buriti, tiquira e o infalível "lambedor" de ervas medicinais. Dona Ana Maria Ferreira dos Santos é quem elabora as fórmulas (ou seriam poções?) e garante a cura de doenças como diabete, úlcera, inflamações de qualquer gênero, gastrite, sinusite e outros "ites". Durante a nossa conversa, recebeu muitos "pacientes", que explicavam seu problema e levavam para casa um vidrinho colorido com a solução de seus males. Freguesia fiel que sempre segue os conselhos da "médica" do mercado.

A ala mais engraçada da feira é composta por uma série de gaiolas com patos galinhas e marrecos. Entre elas um imponente peru passeia fiscalizando o movimento. Ele serve como um juiz na hora da ração da bicharada, quando verdadeiras brigas de galo acontecem por causa da disputa pelo prato de milho. Algumas peninhas desse arranca-rabo circulam entre as mesas do restaurante ao lado, onde é possível escolher a galinha mais gorda da gaiola para almoçar na hora.

Em frente ao centro, o cais de porto é uma atração à parte. Num dos mares de maior vazante do mundo (a variação pode chegar a 7 metros), é normal ver passageiros dentro do Bate-Vento (lancha para mais de cem pessoas), literalmente no chão, encalhado mesmo, aguardando a maré encher para partirem. A impressão que se tem é que eles vão perder a paciência esperando chegar a água que está tão loooonge do cais. Na verdade, em menos de meia hora haverá água suficiente para permitir a saída do barco.

Depois de tanta agitação e andanças pela histórica São Luis, chegara a hora de comemorar o aniversário da Lico. Como não nos desgrudamos em nenhum momento do dia, ficou difícil de organizar uma festa surpresa. Mas conseguimos, e no melhor estilo: um bom churrasco noturno, com direito a bolo recheado, chapeuzinho e balão de gás.

Na companhia de nossos amigos de São Luis, comemos e bebemos muito, comemorando as publicações do Trilha Brasil nos jornais "O Imparcial" e "O Estado do Maranhão" e a matéria realizada ao vivo no jornal da manhã (Rede Mirante - Globo). Deus presenteou nossa irmã da melhor forma: eternamente. O melhor presente que podemos dar a todos nós é o sucesso do que buscamos.

Licão, como você mesma diz "eu não falo nada". Princesa, parabéns.