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Chapada da Natividade...um tesouro dourado


Depois de uma boa conversa com nosso amigo Renato Imbroisi, designer que conhecemos na Vila Mumbuca, no Deserto do Jalapão, ficamos sabendo da existência de Natividade, cidade histórica mais antiga do Tocantins, onde nas épocas mais remotas deste século as pepitas de ouro brotavam no chão das ruas nos dias de chuva. Lá, segundo ele, teríamos contato com o garimpo de ouro e com um design de jóias seculares.

Chegamos na cidade cedo, depois de uma noite peculiar nas estradas do Tocantins...sexta-feira 13 de lua perfeita...e fomos direto ao garimpo. Era a primeira vez na expedição que entravamos no mundo dos garimpeiros de ouro. Serra pelada? Não, bem diferente disso.

Nosso contato com o garimpo começou ali mesmo, onde conhecemos José Cristino Amorim, dono de caixa e ex-comerciante que induzido por amigos, entrou no mundo do ouro e não largou mais. Seu filho Geraldo foi quem nos expedicionou e guiou durante nossos dias de visita. E se tornou nosso amigo.

A primeira e diferente experiência, foi entender o que acontecia numa cidade garimpo e para isso, acompanhamos o dia a dia ali dentro. Corajosos para alguns garimpeiros, mas seguros de nossa proposta, não tivemos a menor dúvida em entrar dentro de uma caixa de 50m de fundura, acompanhados por 3 garimpeiros e pelo Geraldo, para ver o que acontecia lá em baixo.

Dinamites e Martel são os equipamentos essenciais para a quebra da pedra. Lá em baixo, pudemos sentir a força do homem contra a força da natureza. Sob a luz de uma pequena lâmpada, e muita água escorrendo pelas paredes, 2 homens trabalham arduamente furando o chão e mandando as pedras para cima, onde ela vai ser moída e passada pelo tanque de mercúrio.

Às 5 horas da tarde do horário antigo (os garimpeiros não adotam o horário de verão), a massa de mercúrio, ouro e areia vai para as bateias onde será bateada para separar apenas o mercúrio com o ouro.

Depois de espremido o mercúrio excedente, o ouro bruto é queimado (processo usado para a evaporação dos resquícios de mercúrio contidos no ouro) e minuciosamente pesado.

Neste exato momento, isto é, às 6 da tarde, o sino que avisa sobre o jantar começa a tocar pelas mãos da cozinheira Luza. Uma das únicas mulheres no garimpo, é ela quem serve o café da manhã, o almoço, o jantar e a merenda dos garimpeiros. E que comida. Almoçamos e jantamos por lá diversas vezes, e pudemos sentir o gostinho e o carinho com que tudo é preparado....aquele velho ditado é bem certo por lá: "Trabalhador de barriga cheia e farta, rende mais e trabalha bem".

Mas depois de tanto ver o bruto, queríamos o resultado. Foi assim que chegamos no Jesumar. Sobrinho do melhor e mais famoso ourives do Tocantins, Sr. Juvenal, ele herdou as técnicas centenárias do design de jóias de estilo português e passou a trabalhar no que realmente gosta.

"Eu larguei agronomia para fazer esse troço. A gente só faz o que gosta, né?" palavras sejam ditas.... Junto com ele, aprendizes e futuros ourives trabalham na arte do ouro. Tudo manual e com um toque de simplicidade fazem da arte secular uma dádiva tocantinense.

Mas não é só ouro e jóias que se encontra por ali não. Por nossos amigos e anfitriões, Cirene e Caetano, donos do Hotel Serra Geral (63) 372-1160, onde ficamos hospedados, soubemos que a magia do lugar estava presente também na casa de Dna. Romana, uma senhora semi-analfabeta que construiu um templo com as próprias mãos. Sem saber direito o porquê de tudo isso, mas sabendo da importância de suas visões, foi trazendo pedra por pedra e construindo templos e mais templos nos jardins de sua casa. Lá, segundo ela, está um dos pontos de equilíbrio do eixo Terrestre.

Templos agora, só na Chapada dos Veadeiros...o Trilha Brasil segue seu rumo, segue sua trilha em direção a um dos lugares mais místicos e misteriosos do coração do Brasil.

Que Deus preserve e guarde essa terra dourada, terra do sol vermelho, terra do céu azul...