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Carolina - O paraíso das águas


Deixamos os índios e as terras Guajajaras agora em direção ao paraíso das águas, ou simplesmente Carolina. Uma pequena cidade banhada por indescritíveis cachoeiras e pelos rios Tocantins e Farinha. Carolina já era nossa velha conhecida.

Mais uma vez nosso amigo Rhodes foi o apresentador desta encantadora imperatriz das águas, nos mostrando as belezas de suas cachoeiras e despertando a vontade de conhecer e ver tudo pessoalmente.

O primeiro contato com as águas da região foi em um pequeno balneário na beira da estrada - Balneário Urupuxete - onde paramos para comer e tomar um bom banho de rio. Quem gostou mesmo de lá foi nosso companheiro Trilha, que logo foi arrumando uma namoradinha para brincar e bagunçar um pouquinho.

Entramos no Balneário da Pedra Caída ansiosos pelas quedas d'água e pelo Canyon, um dos lugares mais esperados pela Expedição. Mas logo de início, uma grande decepção tomou conta de nós: a estrutura de concreto e cimento que envolvem as margens do rio deixam a "piscina natural" com uma beleza diferente e artificial. Mas nada disso importa depois que se desce os 800 metros de escada íngreme e se enxerga a primeira queda.

O canyon úmido e o verde das plantas misturados com os raios de sol fazem do lugar uma passagem ao paraíso. Só passagem.

O paraíso mesmo está dentro da Gruta do Amor, alguns metros à frente. É lá dentro que a emoção toma conta das pessoas e as faz suspirar diante do inesperado: uma enorme cachoeira despenca de uma altura de 46 metros direto na grande piscina de água corrente. Lá sim uma piscina natural, dentro de uma gruta, iluminada apenas por um facho de luz solar refletida nas águas da cascata.

O Morro do Chapéu, com mais de 300 metros de altura, nos chamou a atenção pelo seu formato e sua magnitude. Nos embrenhamos junto com nosso guia Márcio pelas estradinhas de terra até o "pé do morro", onde uma pequena trilha nos esperava...

Não, pequena não. A subida íngreme e o calor de rachar qualquer côco, nos fez chegar lá em cima ensopados e sem um pingo de água. Valeu. A vista maravilhosa da região, o belo por-do-sol e o nascer da lua cheia nos deixou extasiados.

Nas nossas andanças pela região conhecemos um ermitão, morador de uma pequena casa de adobe. Seu Alberto mora 4 dias por semana por lá, sozinho. Os outros 3 passa na cidade, com a esposa e os filhos. Passamos a noite na casa dele, prozeando sobre a vida. Homem inteligente e sábio. Encontramos um senhor do campo que falava a nossa língua.

Mas não foi só ele que marcou nossa passagem por Carolina. A família Carneiro marcou e muito. Pedro Carneiro, Dna. Isabel e seus 9 filhos donos da fazenda onde se encontra a cachoeira da Prata, uma das mais belas da região, nos hospedou em sua casa por 4 dias e 3 noites.

Lá tivemos a oportunidade de viver um pouquinho o dia-a-dia de uma fazenda. Uma fazenda auto-suficiente onde até engenho próprio tem. A rapadura é feita lá mesmo. A farinha de puba é feita na própria casa de farinha. A galinha angolista é feita na hora. O banho é no rio e o banheiro é no mato. Isso foi só o começo de nossa aventura na fazenda.

Para completar nosso trabalho, participamos de uma grande festança, um típico arraial realizado na fazenda. Os preparativos para o grande forró levaram 2 dias e registramos tudo. Um boi abatido, 20 galinhas deliciosamente recheadas, peixe frito, bolos de trigo, macaxeira e arroz. Sem contar as bebidas e o cafezinho. A festa foi de arromba. Dançamos até nossos pés ficarem doendo e o sol raiar no horizonte. Haviam mais de 300 pessoas espalhadas por lá.

Depois do descanso, nos despedimos dos nossos amigos com o coração apertado e cruzamos a fronteira com o Tocantins. Destino: desbravar os povos e culturas do misterioso deserto do Jalapão...