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João Pessoa, o ponto extremo oriental da América do Sul.


Depois de aprox. 5.000 Km, reencontramos o litoral atlântico na cidade de João Pessoa, PB. Após atravessarmos grande parte do sertão brasileiro, João Pessoa é a primeira das grandes cidades litorâneas que compõem nossas pesquisas históricas de colonização e formação do povo brasileiro, resultante da mistura de raças que houveram no passado.

Também conhecida por ser a cidade mais arborizada do país (18,27 m2 de área verde por habitante) e a segunda do mundo, João Pessoa nos recebeu de braços abertos, tanto pelo ponto de vista cultural como pelo pessoal. Dizemos isto pois em nenhuma outra capital fomos tão calorosamente recepcionados. No trânsito, nos bares, no regional e rústico restaurante Mangai. Todos vibraram com a passagem do Trilha Brasil pela cidade.

Fundada em 1585, em João Pessoa pode-se encontrar do mais moderno ao mais antigo. Por ser uma cidade em expansão, as construções mais recentes mesclam-se aos casarões do século XVI presentes no centro histórico, o que resulta em um belíssimo contraste. E foi lá mesmo no centro histórico que começamos nossa busca da colonização do nordeste.

No Casarão dos Azulejos, como o próprio nome diz, pudemos conferir de perto as maravilhosas cerâmicas feitas pela fábrica Deveza, sediada em Portugal. Construído no século XIX, o casarão fora residência do Comendador do Império, Sr. Antônio dos Santos Coelho. Hoje se situa na antiga residência a secretaria da cultura da cidade, que abriga exposições de arte.


Também tivemos a oportunidade de conhecer a Igreja de Nossa Senhora do Carmo e a Igreja e Convento de Santo Antônio, também conhecida como Igreja de São Francisco. Esta, inicialmente construída pêlos franciscanos sob a forma de um pequeno convento de taipa, que ali viveram até o ano de 1885, foi reformada seqüencialmente.

Foram quase 300 anos de trabalho e dedicação que fizeram do convento um importante centro de irradiação missionária para toda a Paraíba.

Em seu interior, todos os tetos são pintados em perspectivas, tudo mesclado a azulejaria portuguesa. No primeiro contato que tivemos com os salões, ficamos boquiabertos. A história de São José do Egito, também presente nos azulejos, nos lembrou dos momentos passados junto aos poetas cuja cidade leva o nome.

A variedade de cores e padrões, a talha dourada da igreja, capelas e altares nos mostram o mais expressivo movimento barroco presente no país. Além dos monumentos e bens sacros,
pudemos apreciar a riqueza da arte
popular brasileira, na exposição
interna "Mostra Brasil".

Finalmente chegamos ao Farol do Cabo Branco (Ponta do Seixas), o ponto extremo oriental da América do Sul. Demarcado com uma verdadeira obra de engenharia em forma de estrela, fundada em 1972, o ponto recebe ainda uma homenagem em forma de poesia, a qual transcrevemos uma estrofe: "...Soprado pelos ventos de outros mundos E gerado na existência de outras eras O Cabo Branco nas passagens dos segundos vai Assistindo o passar das primaveras...."

Vale-se dizer que o que aqui transcrevemos é apenas uma parte do potencial cultural de João Pessoa. Realmente ficamos impressionados com esta cidade em todos os aspectos.

Apenas o que nos restava para completar esta maravilhosa estadia era a confirmação de um antigo sonho, algo que acabou por acontecer inesperadamente pelas mãos de nosso amigo "trilheiro" Sany Silva, da Rogetur: sim, disse ele. Iríamos para a o arquipélago. Depois de tanta emoção, fizemos ainda uma despedida de João Pessoa no mínimo inesquecível.

Nada melhor que passar nossa última noite na cidade, dia dos namorados, comemorando o aniversário do nosso querido "anfitrião" Carlos de Ávila, ou melhor, Papai Caju, da Pousada do Caju (xx83) 247-8231, onde estivemos hospedados.

Pêlos vários restaurantes e bares da capital cantamos, fizemos discursos e conhecemos pessoas na melhor forma. E no final, um bom e tradicional forró pé de serra uniu paulistas, paranaenses e mineiros em território paraibano. Afinal, como diz Luiz Gonzaga:

"MINHA VIDA É ANDAR POR ESTE PAÍS , PRA VER SE UM DIA DESCANSO FELIZ...."

Seguimos posteriormente em direção a Natal, RN, pelo litoral. No caminho, nos deparamos com um monumento maravilhoso denominado Igreja da Guia, bem como com uma imensa plantação de coqueiros de uma grande empresa. Foi uma viagem encantadora; o primeiro contato com as dunas do agreste, traçado por nosso amigo e novo anfitrião Júlio Pinho.

A travessia manual de Sibaúma e as falésias da Praia da Pipa nos abençoaram neste fim de tarde. Um duplo arco-íris com a lua cheia crescente nos deram as boas vindas ao Rio Grande do Norte.