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Costa Norte - RN


Ouvindo mais uma vez os conselhos de nosso amigo Júlio Pinho, seguimos a costa norte beirando o mar, numa paisagem deslumbrante, onde o brilho do sol e a claridade das águas se fundem entre as dunas de areia branca que cercam o litoral Rio Grandense.

Foram nessas condições que tivemos a nossa primeira experiência off-road nas areias e dunas de uma praia, e mesmo como principiantes, fomos verdadeiros pilotos sobre estes grãos.

Durante a parada de almoço em Maracajaú, conhecemos 4 futuro-amigos, que pararam para fotografar nosso Troller, e acabaram por nos convidar para uma lagostada. Na casa de Ivisson, além das deliciosas lagostas, experimentamos a famosa "buchada", com o sabor certamente melhor do que a sua aparência. Nenhum dos três escapou de prová-la. Depois de uma grande "festança" fechando o feriado, Lígia e Eduardo nos acolheram em sua casa, onde na varanda, conversamos sob a luz do luar e o sopro dos ventos.


O caminho para Galinhos foi marcado por algumas curiosidades. Da água de côco na beira da estrada ao começo da BR 101 (estrada que cruza o Brasil de Norte a Sul), passamos também por uma cidade com o nome de São Miguel do Gostoso, onde como boas vindas, vimos os seguintes dizeres: "Aqui se faz gostoso".

Notamos também que em vários vilarejos a noite que antecede São João é marcada por fogueiras espalhadas por todos os cantos. Em frente a cada casa católica, é acesa uma fogueira, formando assim, uma extensa seqüência de lenha e fogo, que iluminam e esquentam as cidades.

O acesso a Galinhos se dá pela praia e dunas ou por meio de barcos que cruzam o Rio do Furado, transportando as pessoas para o outro lado da península. Nesse pequeno vilarejo de pouco mais de 300 construções e 2000 habitantes ficamos hospedados na casa de Ribamar, um amigo "galinhense" que abre as portas da "Praça Pirata" para viajantes alternativos. Cada um que por lá passa, deixa a sua marca em algum cantinho das paredes coloridas. São desenhos, fotos, frases, ou apenas uma mensagem de agradecimento.

Nessa oportunidade conhecemos Ivo, um poeta local que escreve em versos e rimas a história da cidade. Com seu livro nas mãos, Ivo encantou o belíssimo pôr do sol com os repentes sobre sua Galinhos. Além do poeta, conhecemos também o fotógrafo João Vital, um defensor do frágil ecosistema presente na região, que nos levou para ver as maravilhas locais, incluindo a pequena cidade de Galos e seus nativos "galados", como diria Ribamar.

Durante o passeio de barco, pudemos ver os dois tipos de dunas que existem por lá: as de areia branca e fina, e as de sal, procedentes das salinas que se fixaram na região. Devido ao alto índice de salinidade nessas águas, em menos de 8 anos viu-se o mangue secar e os peixes morrerem. A exploração de sal é muito grande e geralmente feita por indústrias estrangeiras que "nem percebem" que a madeira seca que os cerca já foi mangue vivo, um contraste impressionante com o que ainda resta dessa delicada vegetação.


Também não pudemos deixar de notar as grandes plataformas de petróleo e a presença marcante da Petrobrás por todos os lados. Nem por isso a gasolina é barata, e como meio de "transporte alternativo", existe um jegue-táxi, onde o pequeno animal puxa uma espécie de carroça com capacidade para 4 pessoas.

Mas para irmos para Galos, vila vizinha da qual foi originado o nome "Galinhos", usamos um outro tipo de condução: uma traineira que nos levou rio acima até a vizinha mais velha, onde acontecia o forró de São João.

Em Galos, vimos como se pesca com rede. Os pescadores nos contaram como funciona seu trabalho, em esquema de meeiro com o dono dos barcos. Nosso almoço consistiu no sanduíche mais diferente que já provamos: beijú recheado com xaréu e tomate.

Mais uma vez deixamos saudades e novos amigos, que pretendemos reencontrar um dia, como Simone, Helena, o pequeno Jonas, Cássio, João e Ribamar.

Agora vamos cruzar Horizonte - CE, a casa do Troller.