abr | mai | jun | jul
ago | set | out | nov
diário 1 | diário 2 | diário 3 | diário 4
diário 5 | diário 6 | diário 7

A cidade fantasma...


Agora estamos no sul da Chapada Diamantina, mais precisamente em uma antiga cidade construída integralmente de pedras, chamada Xique -xique do Igatu, município de Andaraí. Tudo aqui é feito de pedra: as casas, a igreja, o cemitério...

Este lugar é na verdade um museu a céu aberto, um verdadeiro sítio arqueológico a ser descoberto, repleto de crianças e flores.

Pelas casas dos mais antigos garimpeiros da região, como
Lindaura (...), ainda são feitos os mais diversos pratos regionais, como o cortado de mamão, a palma e o xique - xique, sempre preparados no tradicional fogão de lenha.

Entre os antigos casarões coloniais e casas de pedra reconstruídas em cima das ruínas, encontramos várias relíqueas da época áurea do garimpo, como um terno e um óculos de Ruy Barbosa, pessoas que frequentaram no passado a região que já teve cerca de 30 .000 hab e hoje conta apenas com 400.

A antiga cidade do garimpo, hoje chamada de cidade fantasma, foi construída por voltas de 1840. Trata-se da história do Brasil que não aprendemos na escola. São tantas lendas, fatos acontecidos, coronéis... Sr. Guina que diga. Garimpeiro
de sorte do local, nos contou histórias fantásticas sobre diamantes e fantasmas sob a luz de velas de sua bodega, que funciona somente a noite quando
se encerra o garimpo.

A cada dia que passa nos envolvemos mais com estes fatos, que embora pareçam passado, fazem parte do dia-dia da população local destes povoados.

Em Andaraí, o município distante 30 km de Igatu, ficamos hospedados no "Casarão da Felicidade", de Edson "Pacó", uma ex-sede de fazenda que foi adaptada para os amigos, se assim podemos dizer. Na geladeira, só cerveja. Nos quartos, uma mesa de bilhar oficial de 1910 vinda da Inglaterra, uma mesa de pebolim, uma mesa de ping pong e no outro uma espécie de museu de peças e acontecidos off road. Isto sem falar na pequena coleção de 15 impecáveis jipes e caminhões... na garagem do casarão.


Nessa estadia, tivemos a oportunidade de conferir as comemorações da Festa do Divino e a feira local que acontece toda segunda feira. Trata-se de um feirão a céu aberto que vende de tudo na rua, da galinha ao requeijão da fazenda. Esta feira representa um feriadão para os locais.

A cidade pára em função da feira e as figuras mais remotas das montanhas aparecem na cidade.

Aqui, até o cabeleireiro aqui é atração. Um ex-garimpeiro, filho de garimpeira, neto de garimpeiro que tem uma coleção de diamantes !!?? Foi inevitável deixarmos de comprar algumas relíqueas dele.


Agora, diante do casarão em que nos hospedamos em Igatu, o futuro e passado se encontram: as pessoas que aqui viveram e vivem, as festas, as brigas entre coronéis, o chão velho de madeira. Não existem palavras para descrever. A Chapada Diamantina é um lugar encantador. Nos despedimos com diamantes no bolso seguindo para o norte, terra do forró, terra do chapéu de couro, em tempo de novas festas e novas trilhas.